Eloquência sentimental

Você já sentiu alguma vez uma dor precordial e preferiu que fosse infarto do que o real motivo e causa dessa dor? Parafraseando a música Infarto de Diego e Vitor Hugo, às vezes eu preferiria que fosse um infarto do que essa angústia do querer saber e entender além do que se deve sobre questões mais complexas da vida. Porque elas são um ciclo onde o fim e o início não nos trazem plena compreensão, só fazem aumentar nossas incertezas e questionamentos ao longo do caminho. 

Aqui já devemos parar e nos perguntar 3 coisas sobre esse minúsculo parágrafo que eu escrevi:

1- Quais as questões complexas da vida atingem e perpetuam seu cérebro, fazendo você quebrar a cabeça e não encontrar uma resposta que te sacie?

2- Eu prefiro mesmo um infarto? Não, não é retórica.

3- “Além do que se deve”?

Não sou poetisa, não sou romancista e não trabalho direta e nem indiretamente com arte. Sou uma médica recém formada. Um grãozinho de areia no espaço. Mas, sofro da mesma doença que os artistas (na definição literal da palavra artista, aquele que cultiva as belas-artes) no que diz respeito sentir as coisas com maior profundidade. Eu, confiando em você leitor, admito que tudo isso parece demasiado prepotente mas, não sei escrever esse texto – tão íntimo – se não for colocando as palavras assim como meu coração as dita. 

Essas três perguntas me acompanham desde a infância e quiçá até antes. Acompanham e torturam sem piedade. Me obrigam a reconhecer uma luta de ideias a cada situação da minha vida, mesmo as pequenas e disfarçadamente simples. O infarto sendo uma doença aguda mas com causa bem estabelecida e meios modernos para sua terapêutica, tem tudo o que é seu dentro de um balão muito bem delimitado. Me entende? O que ele é, como aconteceu, porque aconteceu, quando aconteceu, como foi tratado ou negligenciado, o que ele causou, como vai ser depois dele. A minha vida não. A nossa vida não. Apesar de vários caminhos para aceitarmos ou acreditarmos em algo, não existe um balão fechado com tudo sobre a vida e o porquê dela nele. O balão, que existe para algumas pessoas, pode não ser totalmente lacrado, bastando um supetão da ocasionalidade para que murche ou até mesmo estoure.  Alguns balões resistem.

“Além do que se deve” é apenas um questão de perspectiva. Quero sofrer ou quero um basta e aceitar?  Se eu for aceitar, aceito que sim ou que não. Mas aceito. Sempre me pego nas ideias que chegam nessa bifurcação onde qualquer decisão é certa mas só uma é a certa para mim. Você também, leitor?

Essa é a vontade. Que um infarto pudesse preencher o vazio e o infinito que a vida nos dá. 

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