A disciplina em não ser quem não quero ter

Em uma conversa com minhas amigas – médicas – no whatsapp surgiu de forma melancólica o assunto de como o paciente enxerga verdadeiramente o médico hoje. Como os problemas nos afastaram da confiança, respeito e admiração daqueles que trabalhamos para ajudar e promover a saúde. Dói, pelo que posso ver, em cada uma de nós a distância cada vez mais longínqua da relação médica x paciente. Dói, ainda mais, quando você está fazendo de tudo e sendo vigiado e criticado por todos os lados.

Mas quando nós passamos para o outro lado da mesa e nos tornamos pacientes, é que entendemos e até compadecemos com o que acontece em uma porcentagem da medicina de hoje: o descaso. A pressa. A impessoalidade. Não existe desamparo maior que precisar de ajuda, buscá-la e não recebe-la. Se você precisa de alguém e busca porque precisa, não é de se esperar outro resultado do que uma avaliação criteriosa e a intenção verdadeira de solucionarem seu problema. Ou, no mínimo, ser confortado.

Por exemplo, se fulano tem fortes dores e que não melhoram há alguns dias mesmo com os medicamentos prescritos. É para se investigar melhor! Se essa dor é na ‘barriga’, um exame físico abdominal é o mínimo que se pode e DEVE fazer. Como não encostar no paciente? Como não examina-lo?

De volta ao nosso lado da mesa e realidade laborativa, nos deparamos com cobranças cada vez mais cômicas e trágicas, quase surreais. Número x de pacientes por turno, consultas de DEZ MINUTOS para bater o que y prefeitura ou z vereador precisa. Ninguém quer pensar no que o outro precisa e merece. Essas situações colocam o maior interessado com o maior prejuízo. Sim. O paciente. Mas quem não olha para o próprio umbigo quando chega a sua vez? Qual ‘cobrador’ de número de consultas não quer a sua consulta demorada, atenciosa e respeitosa? O famoso clichê: e se fosse com você?

Temos ainda o fator humano para lidar com os atendimentos. Como não influenciar sua décima consulta com as nove anteriores? Como sair de um minuto chorando para outro sorrindo? Acredito que só quem trabalha com isso para entender.

É aí que entra nossa disciplina. Diária, constante e árdua. Para não sermos quem não gostaríamos que nos atendesse. Uma polícia dentro da alma médica para ajudar em meio aos percalços, a prosperar o médico que juramos ser.

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